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São Sebastião: um leigo em missão de diálogo com a sociedade

Postado por: 09/01/2018 0 Comentários 715 views

Nossa trezena arquidiocesana de São Sebastião desse ano de 2018 está sendo realizada dentro do “Ano do Laicato”. De 26 de novembro de 2017 a 25 de novembro de 2018, a Igreja no Brasil nos convida a aprofundar a identidade e a missão dos cristãos leigos e das cristãs leigas na Igreja e na sociedade.

A vocação ao apostolado de cada leiga e leigo cristão supõe uma participação na missão que Cristo confiou-nos desde os primórdios de nossa fé: estender a salvação a cada homem e mulher até o final dos tempos.

Ao longo de sua milenar história, a Igreja viu surgir uma concepção segundo a qual os cristãos deviam dedicar-se não aos assuntos temporais, mas aos eternos; não às realidades profanas, mas às sagradas; não ao mundo, mas à própria Igreja.

Hoje, nos encontramos diante do desafio da construção de uma nova compreensão da presença da Igreja na sociedade e sua consequente relação com ela. É importante criarmos veículos de comunicação e de diálogo com os homens e mulheres de nosso tempo.

Somente o diálogo será capaz de nos fazer ouvir suficientemente os clamores da nova realidade e identificar os valores e contra-valores da nova situação cultural que temos diante de nossos olhos. Os tempos atuais trazem consigo a exigência de uma nova sensibilidade.

Sensibilidade similar àquela de São Sebastião que, embora sabendo que Roma fosse hostil à fé cristã, para lá se dirigiu, no intuito de testemunhar a alegria do Evangelho. Engajando-se no exército romano, fez promissora carreira militar. Contudo, nunca deixou de ser cristão.

Em Roma, como soldado, ajudou muitas pessoas a conhecer e amar o Deus de Jesus Cristo, através de sua atitude de diálogo, de seu testemunho de vida e de seus ensinamentos. Essa atitude de São Sebastião pode, justamente, inspirar a tarefa que compete aos leigos e leigas do nosso tempo.

A preocupação com a sua vida, com sua estrutura, com sua doutrina, com sua liturgia é, sem dúvida, uma tarefa muito importante para a Igreja. Mas o estar centrada exclusivamente em si, faz com que a Igreja corra o risco de certo fechamento, por vezes agressivo, ao que não lhe é próprio. Encontramo-nos, em tempos pastorais, que nos solicitam melhor articulação entre o trabalho dentro de nossa comunidade de fé e o fora dela. Os cristãos leigos e leigas podem nos oferecer valiosa contribuição nessa obra de articulação.

A missão de São Sebastião foi a do encontro com outros. Santo Ambrósio, ao falar das razões que o fazem partir para Roma, afirma que São Sebastião compreendeu que sua permanência em Milão seria insignificante. Era preciso dialogar com o que parecia hostil. A ação de São Sebastião não foi tanto aquela de buscar aos que estão fora, mas sim de levar o que carregava dentro: o amor gratuito de Deus por cada homem e mulher que vem a esse mundo. Ao dirigir-se à Roma, decidiu dedicar-se a esses.

Ser Igreja é entender que somos sacramento da salvação para todo gênero humano. E, qual sacramento da salvação, São Sebastião cumpre sua missão cristã na sociedade romana do seu tempo. É Igreja para os seus contemporâneos com suas palavras e com seus exemplos de amor e de esperança cristã.

Assim, entra para a história da fé cristã como mestre da caridade que luta pela dignidade e justiça de tantos que sofriam, até a entrega de si mesmo, na maior prova de amor cristão: o martírio.

Parece indiscutível que nossa comunidade arquidiocesana, mas, em especial, nossos amados leigos e leigas, podem encontrar, em nosso Santo Patrono, alguém que signifique e recorde permanentemente a urgência de nosso compromisso cristão: lutar pela dignidade e pela justiça, nas mais diversas áreas culturais, sociais e políticas, a fim de ajudar os mais pobres e desamparados de nossos dias.

São muitos leigos e leigas que, nesses dias festivos, olham para o corpo flechado de nosso Santo Guerreiro. Seu corpo martirizado nos comunica a certeza da vitória cristã. Que seu sacrifício seja causa de comunhão entre nós, pois, quando pessoas se unem chegam aos seus objetivos com maior eficácia.

Que o sangue do mártir São Sebastião seja fecundo no inspirar a missão de muitos leigos e leigas, em nossa sociedade carioca. Que ele recorde-nos que somos todos mártires de Cristo que, às ocultas, todos os dias, onde estamos vivendo, proclamamos que Jesus é o Senhor! Salve São Sebastião!

Padre Abimar Oliveira de Moraes 

Professor do Departamento de Teologia da PUC-Rioe vigário paroquial da Paróquia de Santa Rita (centro)

Sobre o Autor

Rádio Catedral

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