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OS SANTOS DA SIMPLICIDADE. Santa Terezinha do Menino Jesus e São Francisco de Assis

Postado por: 04/10/2017 0 Comentários 437 views

OUTUBRO. OS SANTOS DA SIMPLICIDADE.

Santa Terezinha do Menino Jesus e São Francisco de Assis

 

O mês de outubro nos traz o tema da missão e do rosário. Rezar e agir a favor do Reino de Deus.

Este mesmo mês, como todos os outros onze do ano está repleto da memória de Santos. Eles nos acompanham, suas histórias nos edificam e estimulam a hospedar a ação do Espirito Santo em nossa vida. Destacamos, súbito, Santa Terezinha (01/10) e São Francisco (04/10).

A primeira, Santa Tereza do Menino Jesus nasceu no dia 2 de janeiro de 1873 em Alençom, baixa Normandia, na França. Desde o nascimento foi fraca e doente. Seu nome de batismo era Marie Françoise Thérèse Martin (Maria Francisca Tereza Martin). Filha de Louis Martim, relojoeiro e joalheiro, que quis ser monge na ordem de São Bernardo de Claraval, e Zélie Guérin, famosa bordadeira do ponto de Alençon. Sua mãe faleceu quando Terezinha tinha apenas quatro anos. Por isso, a menina se apegou à sua irmã mais velha, Paulina, que passou a ser tida por ela como segunda mãe. Paulina, porém, seguindo a própria vocação, entrou para o Carmelo.

Terezinha ficou muito doente causando grande preocupação em seu pai e irmãs. Um dia, porém, olhando para a imagem da Imaculada Conceição de Maria, de quem seus pais eram devotos, a Virgem sorriu para Terezinha e esta ficou curada. Desse dia em diante, Terezinha decidiu entrar para o Carmelo. Suas irmãs, que também se tornaram freiras, eram Maria, Paulina, Leônia e Celina. Seus 3 irmãos morreram muito cedo. Terezinha estudou no colégio da Abadia das monjas beneditinas de Lisieux por 5 anos.

Santa Terezinha estava decidida a entrar para a ordem das carmelitas descalças, mas como tinha apenas 14 anos, não poderia, por causa das regras da Igreja. Mas ela não desistiu. Numa viagem feita à Itália, teve a audácia de pedir autorização ao Papa Leão Xlll e este concedeu. Assim, em abril de 1888 ela entra para o Carmelo com o nome de Thérèse de I’Enfant Jesus (Tereza do Menino Jesus). Fez sua profissão religiosa em setembro de 1890, festa da Natividade da Virgem Maria, acrescentando em seu nome, Thérèse de I’Enfant Jesus Et de La Sainte Face, (Tereza do Menino Jesus e Sagrada Face).

Santa Tereza do Menino Jesus se tornou a padroeira das missões sem nunca ter saído do Carmelo. Ela dizia: Compreendi que a igreja tinha um Coração, e que este coração ardia de Amor. Compreendi que só o Amor fazia os membros da igreja agirem, que se o Amor viesse a se apagar, os Apóstolos não anunciariam mais o Evangelho, os Mártires se recusariam a derramar seu sangue. Por isso, ela dizia: No coração da Igreja, serei o amor. Dizia sempre que o que conta é o amor, só o amor. É contemplar no outro a pessoa de Jesus. Para ela ser missionário não é uma questão de geografia e sim uma questão de amor.

Santa Tereza do Menino Jesus sofreu por quase 3 anos de tuberculose, que, naquela época não tinha cura. Faleceu no dia 30 de setembro de 1897, aos 24 anos. No leito de morte as monjas rezavam e anotavam tudo que ela dizia. Sua última frase foi: Não me arrependo de haver-me entregue ao amor. E com o olhar fixo no crucifixo exclamou: Meu Deus, eu te amo. Então, faleceu a jovem que depois foi chamada de a Maior Santa dos tempos modernos.

São João Paulo II elevaria Santa Terezinha, entre as Doutoras da Igreja, mesmo que não se encontre entre seus escritos elementos de alta teologia ou mística, como se encontra na obra de Santa Tereza d’Ávila (15/10), que celebraremos ainda este mês.

Antes de ser canonizada Santa Tereza do Menino Jesus foi beatificada em abril de 1923. Sua canonização foi feita pelo Papa Pio Xl, em 1925 no dia 17 de maio. No ano de 1927 foi declarada Patrona Universal das Missões Católicas. Foi nomeada Padroeira Secundária da França, junto com Santa Joana D’arc. Em 1997 no centenário de sua morte, o Papa João Paulo ll, na Carta Apostólica, Divinis Amoris Scientia, a declara Doutora da Igreja por causa da sua mensagem da Infância Espiritual e da Contemplação da Face de Cristo. Seus pais, Luis Martin e Zélia Guerin, foram beatificados pela Igreja, no ano de 2008, no dia Mundial das Missões, na basílica de Lisieux, dedicada a Santa Terezinha.

Mas, era exatamente a simplicidade, quase ‘naïf’ desta vida e escritos que encanta a mentalidade moderna, em busca de modelos da micro história para construir narrativas que alcancem a todos. A santidade diária torna possível a todos a incumbência de construir um projeto sério de santificação.

Outro aspecto que encanta em Santa Terezinha é sua disposição irrestrita de realizar a missão cristã a partir de sua clausura. Isto é, mesmo que a palavra ‘cela’ ou ‘clausura’ indiquem restrição e fechamento, a oração e o espírito desta jovem santa impediam-nos de pensar que ela estivesse fugindo ou ignorando o mundo. Sua prece e sua mente eram, como em toda clausura cristã uma janela aberta ao mundo.

 

O outro personagem da santidade de outubro é São Francisco de Assis.

Este Santo Medieval está no centro de um processo de ‘reforma’ católica de intensa significação.

São Francisco de Assis nasceu em Assis, Itália, em 1182. Era filho de Pedro Bernardone, um rico comerciante, e Pia, de família nobre da Provença.  Na juventude, Francisco era muito rico e esbanjava dinheiro com ostentações. Porém, os negócios de seu pai não lhe despertaram interesse, muito menos os estudos. O que ele queria mesmo era se divertir. Porém, São Boaventura, seu contemporâneo, escreveu sobre ele: “Mas, com o auxílio divino, jamais se deixou levar pelo ardor das paixões que dominavam os jovens de sua companhia”.

Ao contrário da estéril e infeliz reforma luterana, que cindiu a Igreja, desde o século XVI, São Francisco recebe de Deus esta ordem: ‘restaura a minha Igreja’:

Quem conhece a vida de São Francisco de Assis sabe da profunda experiência espiritual vivenciada por ele nas ruínas da igrejinha de São Damião. Segundo seus biógrafos, Francisco, absorto em oração diante do crucifixo, discerne os apelos de Deus: “Francisco, restaura a minha igreja. Não vês que ela está em ruínas?”

Sua vocação nasce de uma inspiração do Espirito Santo: trazer à tona os valores da Encarnação de Cristo, a pobreza do Verbo:

Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecêsseis (2 Cor 8,9).

E, ainda mais intensamente, a poesia de São Paulo aponta para uma radicalidade da ação de Jesus, ao entrar no mundo, ao tomar nosso lugar:

Embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens (Filp 2, 6-7)

A vocação à santidade de São Francisco consistiu na busca de assemelhar-se a Cristo em sua ‘divina pobreza’. E assim, estar mais próximo da maioria dos seres humanos.

Outro aspecto tão franciscanamente conhecido é sua admiração espiritual pela Criação. Ele estabelece um elo fraterno com todas as criaturas em Cristo.

Quase moribundo, compôs São Francisco o Cântico das criaturas. Até ao fim da vida queria ver o mundo inteiro num estado de exaltação e louvor a Deus. No outono de 1225, enfraquecido pelos estigmas e enfermidades, ele se retirou para São Damião. Quase cego, sozinho numa cabana de palha, em estado febril e atormentado pelos ratos, deixou para a humanidade este canto de amor ao Pai de toda a criação.

Hoje entendemos esta espiritualidade como uma chamada à novas atitudes em relação ao meio ambiente. Não se pode continuar explorando a natureza a partir das leis do consumismo desenfreado e da insustentabilidade econômica.

Uma teologia da Criação reacende na Igreja o desejo de superar o pecado que humilha e danifica o conjunto das relações entre o Homem e o mundo criado por Deus, como casa comum:

Por isso, a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus. Pois a criação foi sujeita à vaidade {não voluntariamente, mas por vontade daquele que a sujeitou. (Rom 8,19-20).

São Francisco é o homem da alegria por ser, graças a pobreza e a santidade, livre e disponível aos ditames de Deus! Por isso, ele teve óculos para ver ‘beleza’ na Criação, na Igreja e na vida!

Altíssimo, onipotente, bom Senhor,

Teus são o louvor, a glória, a honra

E toda a benção.

Só a ti, Altíssimo, são devidos;

E homem algum é digno

De te mencionar.

Louvado sejas, meu Senhor,

Com todas as tuas criaturas,

Especialmente o Senhor Irmão Sol,

Que clareia o dia

E com sua luz nos alumia.

[1] http://www.cruzterrasanta.com.br/historia-de-santa-terezinha/111/102/#c

[2] http://www.cruzterrasanta.com.br/historia-de-santa-terezinha/111/102/#c

[3] http://www.cruzterrasanta.com.br/historia-de-sao-francisco-de-assis/139/102/#c

[4] https://observatoriodaevangelizacao.wordpress.com/2016/08/26/restaura-a-minha-igreja-desafios-de-francisco/

[5] http://www.franciscanos.org.br/?page_id=3124

[6] http://www.franciscanos.org.br/?page_id=3124

 

 

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Doutor em Letras (PUC-RIO) e Doutor em Teologia Bíblica (Univ. Gregoriana – Roma)

 

Sobre o Autor

Rádio Catedral

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