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Maio da Mãe Maria

Postado por: 09/05/2017 0 Comentários 746 views

No culto a Nossa Senhora, a piedade cristã se alimenta, além de toda a revelação, também de algumas tradições que nos vêm pela História e que têm sustentado a vida da Igreja por séculos. Muito louváveis são as devoções do mês de maio, com a Ladainha cantada, o Rosário recitado, os cânticos em honra de Nossa Senhora e tantas outras devoções pessoais, particulares ou comunitárias. Reflitamos sobre algumas delas.

A Ladainha, por exemplo, em sua forma simples, inclui os dois elementos essenciais do culto a Deus: o louvor e a intercessão. O louvor se expressa através das invocações a Nossa Senhora, proclamando-a Mãe de Deus, Mãe do Criador, Mãe do Salvador, Auxílio dos cristãos, Rainha de todas as categorias de santos… Através dos títulos de Nossa Senhora, a Igreja contempla toda a economia da salvação, desde o Deus Criador, passando por Jesus Cristo e pela Igreja, até a glória que espera a todos nós.

A vocação do homem contemplada nos dogmas marianos encontra-se desdobrada nas invocações da Ladainha. A maternidade divina; a Mãe da Igreja, a Virgindade; a Imaculada, a glória da Assunção. Importa que ao rezar a Ladainha, o cristão se encontre a si mesmo em cada uma das invocações.

Portanto, cada invocação convoca o homem a realizar o que contempla de Maria. Por isso, ele pede: rogai por nós. Lembrando a Deus as maravilhas realizadas em Maria, a Igreja pede que renove as suas obras em seu favor, pois também ela está a caminho da glória. E tudo isso está inserido em Deus uno e nosso Salvador, lembrado nas invocações finais ao “cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.

A devoção Mariana do mês de maio pode nos levar a vivermos mais intensamente a dignidade de homens e mulheres ressuscitados com Cristo durante o tempo pascal. Com Maria, nos preparemos para receber a força do Espírito de Pentecostes, que deseja formar em nós a imagem de Jesus Cristo, como Ele a realizou em Sua mãe.

A devoção à Virgem no mês de Maio nasceu do amor, que sempre procurou novas formas de exprimir-se. Ao longo dos dias deste mês, os cristãos oferecem a Nossa Senhora especiais obséquios que os levam a estar mais perto d’Ela: romarias, visitas a alguma igreja a Ela dedicada, pequenos sacrifícios em sua honra, horas de estudo ou de trabalho, mais a recitação do Rosário.

Uma manifestação tradicional de amor à nossa Mãe é a romaria a um Santuário ou ermida de Nossa Senhora. É uma visita revestida de caráter penitencial – traduzido talvez num pequeno sacrifício: fazer o trajeto a pé a partir de um lugar conveniente, ter algum pormenor de sobriedade que custe sacrifício – e de sentido apostólico, com o propósito de aproximar mais de Deus as pessoas que nos acompanham e rezando juntos, com especial piedade, os quatro terços do Rosário.

A Romaria pode ser uma ocasião muito propícia e fecunda de apostolado com os nossos amigos. Nesses santuários e ermidas, milhares de pessoas alcançaram graças ordinárias e extraordinárias da Mãe de Deus: uns começaram uma vida nova depois de fazerem uma boa confissão dos seus pecados, talvez após muitos anos; outros compreenderam que o Senhor os chamava a uma entrega mais plena ao serviço d’Ele e das almas; outros obtiveram ajuda para vencer graves dificuldades da alma ou do corpo. Ninguém voltou desses lugares com mãos vazias. (Cfr. Documento de Aparecida). O Bem-aventurado Paulo VI dizia: a Providência, “por caminhos frequentemente admiráveis, marcou os santuários marianos com um cunho particular”. (Papa Paulo VI, Carta aos reitores dos santuários marianos, I-V-1971).

A Exortação Apostólica “Marialis Cultus”, do Papa Paulo VI (02/02/1974), parte da renovação litúrgica, decidida pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, para explicar o lugar de Maria no ciclo geral e o sentido das festas propriamente marianas.  A Exortação segue o que orienta o Concílio: […] promovam generosamente o culto, sobretudo o litúrgico, para com a Bem-Aventurada Virgem Maria; deem grande valor às práticas e aos exercícios de piedade recomendados pelo magistério […] (LG 67). Neste ensinamento, Paulo VI articula a questão da cultura e da inculturação do culto devido a Maria, como a Mulher que soube viver no seu contexto e inserir-se no mistério de Cristo, porque foi uma mulher que acreditou naquilo que o Senhor lhe disse.

Portanto, neste mês dedicado a Bem-Aventurada Virgem Maria, queremos acorrer à sua intercessão e pedir a Ela todas as graças e bênçãos sobre cada família e sobre cada um de nós. Em especial, com o Rosário nas mãos em nossas ruas, praças e avenidas, suplicando diante de Deus, com Maria, pela Paz em nossa cidade e em nosso estado.

Que a Virgem Mãe do Divino amor nos dê a graça de amar e sermos sinais desse amor em nossa sociedade.

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro 

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Rádio Catedral

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