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Façamos da prática musical uma oração

Postado por: 09/04/2018 0 Comentários 504 views

“Reza bem que vive bem” (Santo Agostinho sobre a ordem 2,19,51)

“A música é ciumenta”, dizia um amigo nos meus tempos de faculdade. Queria ele me alertar para as exigências técnicas da arte. As horas infindáveis de estudo, os ensaios em busca de perfeição e o tanto que líamos e pesquisávamos sobre o que iríamos tocar. Da mesma forma, quando tocamos na Igreja, enfrentamos rotina igualmente exigente. O risco? Descuidarmos da oração. E se incorporássemos a oração ao fazer musical, a exemplo dos monges, que em tudo parecem envolvidos pela prática orante – mesmo quando trabalham?

Se trocarmos as cordas de um instrumento, poderemos meditar sobre nossas próprias cordas “desafinadas e gastas”, as cordas do nosso coração. Ao montarmos o som para a Missa ou para o grupo de oração, podemos meditar sobre a organização da nossa vida interior. Podemos colocar, no gesto externo, todo cuidado que nosso interior precisa. Se ensaiarmos uma música, poderemos exercitar a escuta não só do nosso instrumento, mas de todos os que participam da canção. Assim, desenvolvemos a sensibilidade ao toque e expressão do outro. Ao construirmos um arranjo musical, teremos a possibilidade de estruturarmos nossa alma: aquilo que contraponto, melodia principal ou sustentação harmônica. Há sempre como fazer texto e contexto em tudo. Em tudo podemos enxergar nossa vida interior, trabalhar sem descuidar do que há fora, aquilo que em nosso coração requer cuidado.

Estar sempre com o pensamento voltado para Deus!

Apresento a “Oração de Jesus”, que consiste na repetição pausada da frase: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim, pecador”. Tem sido um descoberta relativamente recente, a partir de um livro que já se tornou um clássico da literatura espiritual: ‘Relatos de um peregrino russo’. Santo Agostinho, no século IV, já narrava o conhecimento de que “muitos irmãos do Egito recitam certas orações em intervalos muito breves. São orações curtas e rápidas como flechas disparadas de um arco, a fim de que a atenção, que é a alma da oração, não se dissipe nem adormeça pelo cansaço” (Epist. 130, 20).

Augusto Cezar

Músico da banda DOM, compositor, escritor de 3 livros, professor e palestrante. Não sou nada do que realizei. Fui e sou tudo o que amei e amo. Além disso, não sou mais nada. www.augustocezarcornelius.com.br

Sobre o Autor

Rádio Catedral

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