Espiritualidade

16/11/2017 0 Comentários 328 views

Começaremos a viver, a partir do domingo de Cristo Rei deste ano, Dia do Cristão leigo, o ano do laicato. Uma iniciativa de nossa Conferência Episcopal no intuito de protagonizar...
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13/11/2017 0 Comentários 351 views

Vivenciando a semana da solidariedade preparando o Dia Mundial do pobre, recordo que o Papa Francisco, em sua mensagem (nº 8) trata do tema da oração do pobre. A oração do pobre é a oração do Pai Nosso.

O Evangelho de Lucas 11, 1-13 nos apresenta a oração do Pai Nosso. Jesus, mais uma vez, está em oração, num lugar. Lucas não se importa em precisá-lo. Qualquer lugar pode se tornar um espaço de oração: em casa, fora da pátria, na estrada. Os discípulos esperam respeitosamente, Jesus terminar a oração, para pedir-lhe que os ensine. Vêem que Jesus alimenta a sua espiritualidade na oração e sentem necessidade de também eles beberem desta fonte, capaz de sustentar a caminhada. Querem saber o conteúdo da oração, a qual Jesus resume em cinco pedidos, que facilmente podem ser repetidos.

Chamar a Deus de Pai revoluciona a relação entre aquele que faz a oração e a quem se dirige a mesma. Estabelece uma relação de intimidade e de confiança naquele que é doador da vida, cheio de misericórdia (6,36). Não é um pedido intimista, mas aberto. Expressa o desejo de que o Pai se dê conhecer a todos, para que todos conheçam a sua santidade, ou seja, que se realize a sua justiça. Historicamente, Deus se deu a conhecer libertando seu povo (Êx 3,14).

O Evangelho (Lc 11, 1-13) retoma o tema da oração. Jesus, solicitado pelos seus discípulos, ensina-os a orar: “Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o Teu nome. Venha o Teu reino” (Lc 11, 2). O cristão, autorizado por Jesus, chama a Deus de Pai, nome que dá à oração uma atitude filial, que pode derramar o seu coração no coração de Deus, apresentando-Lhe as suas necessidades, de maneira simples e espontânea, como indica o Pai-nosso.

Com a parábola do amigo importuno Jesus ensina a orar com perseverança e insistência, como fez Abraão, sem temer a ser indiscretos: “Pedi, procurai, batei”. Não há horas inconvenientes para Deus. Nunca se aborrece da oração humilde e confiada dos Seus filhos, mas antes se compraz com ela: “Todo aquele que pede recebe; quem procura encontra; e ao que bate abrir-se-á” (Lc 11, 10). E, mesmo que o homem nem sempre obtenha aquilo que pede, é certo que a sua oração não é em vão, pois o Pai celeste responde sempre com o Seu amor e a seu favor, embora de uma maneira oculta e diferente da que o homem espera. O mais importante não é obter isto ou aquilo, mas sim, que nunca lhe falte a graça de ser cada dia fiel a Deus. Esta graça está garantida ao que ora sem cessar: “Se vós que sois maus sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que O pedirem” (Lc 11, 13). No dom do Espírito Santo, estão incluídos todos os bens que Deus quer conceder aos Seus filhos.

Afinal, por que orar? Para nos abrir e escutar o Senhor, para nos fazer tomar consciência dele com todo o nosso ser, para que percebamos com cada fibra do nosso ser, do nosso consciente e do nosso inconsciente que não nos bastamos a nós mesmos, mas somos seres chamados a viver a vida em comunhão com o Infinito, em relação com o Senhor. Sem a oração, perderíamos nossa referência viva a Deus, cairíamos na ilusão que somos o centro da nossa vida e reduziríamos o Senhor Deus a uma simples ideia abstrata, distante e sem força. Todo aquele que não reza, seja leigo, seja religioso, seja padre, perde Deus, perde a relação viva com ele. Pode até falar dele, mas fala como quem fala de uma ideia, de uma teoria e não de alguém vivo e próximo, que enche a vida de alegria, ternura, paz e amor. Sem a oração, Deus morre em nós. Sem a oração é impossível uma experiência verdadeira e profunda de Deus e, portanto, é impossível ser cristão. Por tudo isso, a oração tem que ser diária, perseverante e fiel.

Jesus retirava-se para rezar, com frequência! E um dia, ao terminar a sua oração, seus discípulos lhe pediram: “Senhor, ensina-nos a orar… É o que nós temos de pedir também: Jesus, ensina-me de que modo relacionar-me com o Pai, diz-me como e que coisas devo pedir! Se Jesus foi um homem orante, também os cristãos são chamados a serem homens e mulheres orantes. Para que possam transformar toda a sua vida numa comunhão profunda com Deus, importa dedicar espaços de tempo explicitamente ao exercício da oração. Sem dúvida a oração constitui uma profunda experiência pascal. Daí cuidarmos da vida de oração, pois a oração é o grande recurso para sair do pecado, perseverar na graça, mover o coração de Deus e atrair sobre nós toda a sorte de bênçãos do céu, quer para a alma, quer pelo que respeita às nossas necessidades temporais.

O Santo Padre nos diz: “o Pai Nosso é a oração dos pobres. De fato, o pedido do pão exprime o abandono a Deus nas necessidades primárias da nossa vida”. “O Pai Nosso é uma oração que se exprime no plural: o pão que se pede é “nosso”, e isto implica partilha, comparticipação e responsabilidade comum. Nesta oração, todos reconhecemos a exigência de superar qualquer forma de egoísmo, para termos acesso à alegria do acolhimento recíproco” (Retirado do site: tps://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/poveri/documents/papa-francesco_20170613_messaggio-i-giornatamondiale-poveri-2017.html. acessado pela última vez em: 07/11/2017).

Contudo, observemos que a oração que Jesus ensinou, o Pai-nosso, é toda ela centrada não em nós, mas no Pai: no seu Reino, na sua vontade, na santificação do seu nome. Somente depois, quando aprendermos a deixar que Deus seja tudo na nossa vida, é que experimentaremos que somos pessoas novas, transformadas pela graça do Senhor.

Cardeal Orani João Tempesta 

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

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10/11/2017 0 Comentários 1489 views

Às vésperas do encerramento do Ano Litúrgico, na Solenidade de Cristo Rei, a Igreja se prepara para celebrar a primeira edição do Dia Mundial dos Pobres, que acontecerá no dia 19 de novembro. Com o tema: “Não amemos com palavras, mas com obras” (1 Jo 3,18), os fiéis são convidados a refletir como a pobreza é a essência do Evangelho.

Porém, antes da data, a Arquidiocese do Rio de Janeiro preparou uma semana, com o objetivo de olhar para a própria realidade local, que terá início no dia 11 e irá até o dia 19 de novembro, quando será servido o café da manhã para a população em situação de rua na Catedral Metropolitana de São Sebastião, onde também será celebrada missa, presidida pelo Cardeal Orani João Tempesta, às 10h.

De acordo com o vigário episcopal para a Caridade Social, cônego Manuel Manangão, durante a semana que antecede o dia, quatro temas serão os focos principais do encontro: educação, saúde, habitação e trabalho/renda, os quais serão abordados durante o Fórum Social do Dia Mundial dos Pobres, no Edifício João Paulo II, na Glória, no dia 11. O evento contará com a presença de especialistas nas áreas.

Cônego Manangão explicou o motivo da escolha dos temas. “Pensamos nesses temas porque correspondem às situações mais básicas da realidade dessas pessoas. Sobre a educação, ouvimos uma série de reclamações e angústias das escolas, principalmente nos ensinos fundamental e médio públicos, que não recebem a devida atenção. Na saúde, há uma falência do sistema público que atende aos mais pobres e, devido ao desemprego, retoma sobre ele as questões daqueles que estão desempregados”, esclareceu.

E ainda apresentou considerações acerca das questões sobre habitação e trabalho/renda. “Vemos, de um lado, a ausência de moradias construídas, principalmente para a população de baixa renda, e, ao mesmo tempo, há um descaso do poder público, no que diz respeito a saneamento básico, água e luz, nas casas construídas, além de um crescimento contínuo desse processo. Quanto ao trabalho/renda, há dois polos de reflexão: a maneira construída a partir da religião, que é a economia de comunhão, e, também, a economia solidária. Eles estarão no foco, junto às questões de desemprego, o trabalho de fortalecimento de laços das cooperativas, além das mudanças na proposta da lei do trabalho escravo”, complementou.

‘Somos chamados a amar os pobres’

O Dia Mundial dos Pobres foi instituído pelo Papa Francisco na carta apostólica “Misericórdia e mísera”, como sinal concreto do Ano Santo da Misericórdia. Em junho deste ano, o Pontífice publicou uma mensagem dedicada à data.

De acordo com o Pontífice, o Dia Mundial dos Pobres é a mais digna preparação para que os fiéis possam bem celebrar Jesus Cristo, Rei do Universo. Além disso, ele ainda pontuou que a Igreja encerra o Ano Litúrgico recordando a sua identificação com os “pequenos e pobres”.

Na mensagem, Francisco destaca: “O amor não admite álibis: quem pretende amar como Jesus amou, deve assumir seu exemplo, sobretudo quando somos chamados a amar os pobres”.

O Papa continuou: “portanto, somos chamados a estender a mão aos mais pobres, a encontrá-los, fixá-los nos olhos, abraçá-los, para lhes fazer sentir o calor do amor que rompe o círculo da solidão. A Sua mão estendida para nós é, também, um convite a sairmos das nossas certezas e comodidades e a reconhecermos o valor que a pobreza encerra em si mesma”, afirmou.

Na mensagem, Francisco destacou o exemplo de São Francisco de Assis, o qual foi seguido por demais homens e mulheres, santos e santas, ao longo dos séculos, não se contentando em apenas abraçar ou dar esmolas aos leprosos, mas decidiu viver ao lado deles, com suas dores e sofrimentos.

O Pontífice encerrou a carta dizendo: “que este novo ‘dia mundial’ se torne, pois, um forte apelo à nossa consciência crente, para ficarmos cada vez mais convictos de que partilhar com os pobres permite-nos compreender o Evangelho na sua verdade mais profunda. Os pobres não são um problema: são um recurso para acolher e viver a essência do Evangelho”, finalizou.

Programação

Dia 11 – Fórum Pastoral de Diálogo com a Sociedade: Educação, Saúde, Habitação, Trabalho/Renda. O encontro será realizado no Edifício João Paulo II, na Glória, das 8h às 17h.

Dia 12 – Acolhida dos pobres nas paróquias

Dia 13 – Encontro Ecumênico Arquidiocesano, no Edifício João Paulo II, na Glória.

Dia 14 – Ações sociais em âmbito paroquial com a participação do clero

Dia 15 – Ações sociais em âmbito vicarial

Dia 16 – Adoração ao Santíssimo Sacramento em todas as paróquias

Dia 17 – Oração, jejum e ofertas de alimentos em todas as paróquias

Dia 18 – Missa “O Rio Celebra”, na cracolândia do Jacarezinho, às 9h.

Dia 19 – Celebração do Dia Mundial dos Pobres com distribuição de café da manhã para a população em situação de rua, na Catedral Metropolitana de São Sebastião, no Centro. No local, também será celebrada missa, com a presença de agentes das pastorais sociais, presidida por Dom Orani, às 10h.

Foto: Gustavo de Oliveira

Fonte: ArqRio. Texto de Priscila Xavier

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08/11/2017 0 Comentários 95 views

Festa da Dedicação da Basílica de São João de Latrão

09 de Novembro de 2017.

 

Comemoramos hoje a dedicação da Basílica de São João de Latrão, também conhecida como cabeça e mãe de todas as igrejas, “caput et mater omnium ecclesiarum“. Esta honra, com efeito, lhe é devida pelo fato de ser o primeiro templo em que, após o período das grandes perseguições, os cristãos puderam reunir-se para celebrar com a devida solenidade o santo sacrifício do Altar.

 

A consagração de uma igreja expressa a verdade mais profunda de nosso Batismo: fomos constituídos ‘Templo de Deus’. Inviolável e Sagrado: ‘Não sabeis que sois santuário de Deus e que o seu Espírito habita em vós? ( 1Cor, 3,16)’.

Carregar em nossa vida, comportamento, na nossa liberdade o dom de Deus, seu Filho, no Espírito que consagra na Verdade. Uma celebração da consciência cristã da ‘Inabitação Divina’ em nós: ‘Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada (Jo 14, 23)’

Uma jornada de santificação da língua, dos olhos, do corpo e da mente para realizarmos em nós o mais nobre dos ofícios: abrigar a Deus neste mundo!

Mas recordemo-nos também, que Templo, é lugar de glória e de glorificação de Deus. Templo é ‘locus mysterii et Laudis Dei!’ A vida cristã recorda como Deus quer ser Louvado. E recorda ao mundo de guerras e ódios, o valor incalculável do ser humano!

Além, disso, trata-se de uma antiquíssima Basílica (Casa do Rei=Basileus), na qual, pelo Santíssimo e Diviníssimo Sacramento, a partir do Edito de Constantino, em 313 d.C, o Cristianismo começava a brilhar como luz forte no contexto pagão e adverso.

Sé oficial do Papa, bispo de Roma, desde o século IV, a Arquibasílica do Latrão é um sinal concreto não só da unidade da Igreja Católica — una pela mesma fé, pelos mesmos sacramentos e pela mesma cabeça visível — como também da indefectibilidade que lhe prometeu o seu divino Fundador: “As portas do inferno”, disse Ele a Simão Pedro, “não prevalecerão contra ela (Mt 16, 18) .

[1] https://padrepauloricardo.org/episodios/festa-da-dedicacao-da-basilica-do-latrao

[2] https://padrepauloricardo.org/episodios/festa-da-dedicacao-da-basilica-do-latrao

 

 

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Doutor em Letras (PUC-RIO) e Doutor em Teologia Bíblica (Univ. Gregoriana – Roma)

 

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07/11/2017 0 Comentários 459 views

Neste XXIX Domingo do Tempo Comum celebramos o Dia Mundial das Missões e da Obra Pontifícia da Infância Missionária. Neste mês no Brasil o tema tem sido “A alegria do...
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03/11/2017 0 Comentários 284 views

O Papa Francisco publicou, em 3 de setembro último, a Carta Apostólica, em forma de motu próprio (de livre iniciativa), intitulada Magnum Principium (o grande ou o importante princípio) na qual reforma o cânon 838 do Código de Direito Canônico, de 1983, à luz das reformas litúrgicas propostas pelo Concílio Vaticano II (1962-65) e de outros documentos complementares publicados ao longo do pós-Concílio.

O cerne do motu próprio está no seu final, quando diz: […] “no futuro o cân. 838 será lido como segue:”

“Cân. 838 – § 1. Regular a sagrada liturgia depende unicamente da autoridade da Igreja: isto compete propriamente à Sé Apostólica e, por norma de direito, ao Bispo diocesano.”

“§ 2. É da competência da Sé Apostólica ordenar a sagrada liturgia da Igreja universal, publicar os livros litúrgicos, rever as adaptações aprovadas segundo a norma do direito da Conferência Episcopal, assim como vigiar para que as normas litúrgicas sejam fielmente observadas em toda a parte.”

“§ 3. Compete às Conferências Episcopais preparar fielmente as versões dos livros litúrgicos nas línguas correntes, convenientemente adaptadas dentro dos limites definidos, aprová-las e publicar os livros litúrgicos, para as regiões de sua pertinência, depois da confirmação da Sé Apostólica.”

“§ 4. Ao Bispo diocesano na Igreja a ele confiada compete, dentro dos limites da sua competência, estabelecer normas em matéria litúrgica, as quais todos devem respeitar.”

“Por consequência devem ser interpretados quer o art. 64 § 3 da Constituição Apostólica Pastor bonus quer as outras leis, em particular as que estão contidas nos livros litúrgicos, acerca das suas versões. De igual modo disponho que a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos modifique o próprio ‘Regulamento’ com base na nova disciplina e ajude as Conferências Episcopais a desempenhar a sua tarefa e se comprometa a promover cada vez mais a vida litúrgica da Igreja Latina.”

O Documento despertou apreensões de vários matizes, muitas vezes preocupados com que a essência da Liturgia fique em perigo, dado que cada Conferência Episcopal poderia traduzi-la a seu critério subjetivo longe das orientações da Santa Sé, o que, então, poderia causar sérios danos e até divisões no meio do Povo de Deus. Parece ir na referida “observação” uma veemente crítica aos Bispos por parte de alguns grupos. Estes não sucederiam, em conjunto, o Colégio Apostólico, mas, em contrário, agiriam como “irresponsáveis” no que se refere à Liturgia.

Ora, tal perigo não parece existir se levamos em conta a maturidade e a especialização de cada um dos Bispos, bem como as próprias palavras do Santo Padre, no Magnum Principium, que valem a pena ser citadas a fim de sanar qualquer dúvida ainda pendente em um tema que é, realmente, complexo… E tal complexidade não passou, de forma alguma, despercebida no Documento Pontifício, que, aliás, faz eco à legítima preocupação dos próprios Padres Conciliares. Afirma, portanto, Francisco, ante o desafio da Igreja na matéria litúrgica: “Por um lado, era preciso unir o bem dos fiéis de qualquer idade e cultura e o seu direito a uma participação consciente e ativa nas celebrações litúrgicas com a unidade substancial do Rito Romano; por outro, as mesmas línguas vulgares muitas vezes só de maneira progressiva teriam podido tornar-se línguas litúrgicas, esplendorosas não diversamente do latim litúrgico por elegância de estilo e pela gravidade dos conceitos a fim de alimentar a fé”.

Ora, para ajudar a cada Conferência Episcopal, a Santa Sé publicou indicações, leis, normas, instruções etc. ao longo dos últimos cinquenta anos e que devem, continuar a ser seguidas no grande trabalho com a Sagrada Liturgia “como instrumentos adequados a fim de que, na grande variedade de línguas, a comunidade litúrgica possa alcançar um estilo expressivo adequado e congruente com cada uma das partes, mantendo a integridade e a fidelidade cuidadosa, sobretudo na tradução de alguns textos de maior importância em cada livro litúrgico”.

Mais: “A finalidade das traduções dos textos legislativos e dos textos bíblicos, para a liturgia da palavra, é anunciar aos fiéis a palavra de salvação em obediência à fé e exprimir a oração da Igreja ao Senhor. Com este objetivo é preciso comunicar fielmente a um determinado povo, através da sua língua, o que a Igreja pretendeu comunicar a outro por meio da língua latina. Mesmo se a fidelidade nem sempre pode ser julgada por simples palavras, mas no contexto de toda a ação da comunicação e segundo o próprio gênero literário, contudo alguns termos peculiares devem ser considerados também no contexto da íntegra fé católica, dado que cada tradução dos textos litúrgicos deve ser congruente com a sã doutrina”. Nunca se pode improvisar.

A decisão Conciliar não é – como se vê – de fácil aplicação prática, daí o surgimento de problemas ou de dificuldades ao longo dos anos. Problemas que, no entanto, são solucionáveis com o empenho de todos os envolvidos primeiros na questão, ou seja, as Conferências Episcopais e o Dicastério romano que atua na área, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, em vista da unidade da fé e do bem do Povo de Deus. É o que expressa o Papa nas seguintes palavras: “Sem dúvida, deve-se prestar atenção à utilidade e ao bem dos fiéis, e não se deve esquecer o direito e o encargo das Conferências Episcopais que, juntamente com as Conferências Episcopais de regiões que têm a mesma língua e com a Sé Apostólica, devem garantir e estabelecer que, salvaguardada a índole de cada língua, seja dado plena e fielmente o sentido do texto original e que os livros traduzidos, até depois das adaptações, resplandeçam sempre pela unidade ao Rito Romano”. Trata-se, como vemos, de tarefa muito séria e responsável. Cada Conferência Episcopal a tratará em plena fidelidade à Escritura e à Tradição interpretadas, de modo autêntico, apenas pelo Magistério ordinário e/ou extraordinário da Igreja.

Por fim, seja citada a fala de Dom Arthur Roque, Arcebispo secretário da Congregação para o Culto Divino e Disciplina do Sacramentos, ao escrever que “a confirmatio da Sé apostólica não se apresenta como uma intervenção alternativa de tradução, mas como um ato autoritativo com o qual o dicastério competente ratifica a aprovação dos bispos. Supondo obviamente uma avaliação positiva da fidelidade e da congruência dos textos produzidos em relação à edição típica sobre a qual se funda a unidade do rito, e tendo em conta sobretudo os textos de maior importância, especialmente as fórmulas sacramentais, as orações eucarísticas, as orações de ordenação, o rito da Missa e assim por diante” (L’Osservatore Romano, 21/09/17, p. 8 e 10).

Também o Santo Padre ao responder a essa questão deixou bem claro essa posição conforme noticiário da Rádio Vaticano de 23/10 p.p.: Em documento endereçado ao Prefeito da Congregação para o Culto Divino –  divulgado pela Sala de Imprensa da Santa Sé –  o Papa sublinha antes de tudo a “clara diferença” que o novo Motu proprio estabelece entre recognitio (verificação) e confirmatio (confirmação). Não são “sinônimos”, nem “intercambiáveis”, enfatiza o Pontífice. E isto – observa – para “abolir a prática adotada pelo Dicastério após a Liturgiam authenticam e que o novo Motu proprio quis modificar”.

Também o secretário-geral da Congregação esclareceu ao dizer que “a ‘confirmatio’ é um ato de autoridade com a qual a Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos ratifica a aprovação dos Bispos, deixando a responsabilidade da tradição, presumidamente fiel, ao múnus doutrinal e pastoral das Conferências dos Bispos. Resumindo, realizada ordinariamente na base da confiança, a ‘confirmatio’ supõe uma positiva avaliação da fidelidade e da congruência dos textos produzidos em relação ao texto típico latino” […] (idem, p. 10).

É o que podemos refletir a propósito do Motu Proprio Magnum Principium.

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro 

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01/11/2017 0 Comentários 458 views

A Comunhão dos Santos

Solenidade de todos os Santos

 

Depois de ter confessado «a santa Igreja Católica», o Símbolo dos Apóstolos acrescenta «a comunhão dos santos». Este artigo é, em certo sentido, uma explicitação do anterior: pois «que é a Igreja senão a assembleia de todos os santos?». A comunhão dos santos é precisamente a Igreja (CIC 946).

A solenidade do dia Primeiro de Novembro, a Festa de TODOS OS SANTOS, traz todos os anos à Igreja uma sorte de metalinguagem. Isto é, ao celebrar sua própria identidade, seu destino, seu tesouro.

Se formos analisar bem, a solenidade que reúne numa só celebração todos aqueles que santificados pelo Batismo renderam Glória a Deus nesta vida através de grandes e singulares sacrifícios e tiveram uma vida exemplar, afirma a graça da superação do Pecado Original. No pecado éramos dissemelhantes a Deus, distorcíamos nossa identidade, que envolvia imagem e semelhança com Deus! A festa da realização plena da vida Divina em nós, resgatados pelo Cristo, em sua Gloriosa Encarnação, Morte e Ressurreição.

«Uma vez que todos os crentes formam um só corpo, o bem duns é comunicado aos outros […]. E assim, deve-se acreditar que existe uma comunhão de bens na Igreja. […] Mas o membro mais importante é Cristo, que é a Cabeça […]. Assim, o bem de Cristo é comunicado a todos os membros, comunicação que se faz através dos sacramentos da Igreja». «Como a Igreja é governada por um só e mesmo Espírito, todos os bens por ela recebidos tornam-se necessariamente um fundo comum» (CIC 947).

Trata-se não somente da afirmação orgulhosa (pride) da vocação humana à Comunhão com Deus, pela Ação resgatadora de Cristo, mas da sua adesão ao ‘modus operandis’ de Deus salvar-nos!

Contudo, a Solenidade dos Santos exprime outra verdade. É a comunhão dos Santos. Uma forma de economia da Salvação:

A expressão «comunhão dos santos» tem, portanto, dois significados estreitamente ligados: «comunhão nas coisas santas, sancta», e «comunhão entre as pessoas santas, sancti». «Sancta sanctis! (O que é santo, para aqueles que são santos)». Assim proclama o celebrante na maior parte das liturgias orientais, no momento da elevação dos santos Dons antes do serviço da comunhão. Os fiéis (sancti) são alimentados pelo Corpo e Sangue de Cristo (sancta), para crescerem na comunhão do Espírito Santo (Koinônia) e a comunicarem ao mundo (CIC 948).

Festa da partilha, da solidariedade divina para conosco, os batizados. Comunhão de Pessoas e de bens, que circulam entre os eleitos de Deus: “Na comunidade primitiva de Jerusalém, os discípulos «eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fracção do pão e às orações» (At 2, 42)” A comunhão na fé. A fé dos fiéis é a fé da Igreja recebida dos Apóstolos, tesouro de vida que se enriquece na medida em que é partilhada. (CIC 949).

A festa elucida a riqueza incomensurável da Igreja, na qual usufruímos  disso todos os dias: a Palavra Divina e os Sacramentos, a Maternidade divina. Todos estes bens e virtudes percorrem os âmbitos e se oferecem para o todos batizados, numa conjunção que não respeita tempo e espaço, e coloca em contato íntimo os dons de Deus e as necessidades humanas, que nos couberem.

Na multidão das diversas facetas do Mistério de Cristo, eles, no mundo, são realizações de cada uma delas: Cristo Menino, Cristo Sofredor, Cristo Profeta, Cristo Mestre, Cristo Contemplativo, Cristo Incansável Pregador, Cristo Taumaturgo, Cristo amigos dos pobres e doentes, Cristo comensal entre pecadores e prostitutas, Cristo Sumo e Eterno Sacerdote, Cristo Casto, Humilde e Obediente ao Pai…

 

Deus eterno e omnipotente, que nos concedeis a graça de honrar numa única solenidade os méritos de Todos os Santos, dignai-Vos derramar sobre nós, em atenção a tão numerosos intercessores, a desejada abundância da vossa misericórdia (Coleta da Missa)

 

 

 

Padre Pedro Paulo Alves dos Santos
Doutor em Letras (PUC-RIO) e Doutor em Teologia Bíblica (Univ. Gregoriana – Roma)

 

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27/10/2017 0 Comentários 754 views

Ao recebermos com alegria a nomeação de um novo Bispo auxiliar para a nossa missão nesta grande cidade que é São Sebastião do Rio de Janeiro, reflitamos sobre a missão...
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26/10/2017 0 Comentários 32 views

Este é o último domingo do mês de outubro. Ao longo deste mês, fomos convidados a refletir sobre a missão como projeto deixado pelo Senhor à sua Igreja. Recordamos com...
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25/10/2017 0 Comentários 41 views

Com o tema “O paraíso, meta de nossa esperança”, o Papa Francisco concluiu nesta quarta-feira, dia 25 de outubro, a sua série de catequeses sobre a esperança cristã.

Dirigindo-se aos 25 mil fiéis presentes na Praça São Pedro, o Papa começou recordando que “’Paraíso’ é uma das últimas palavras pronunciadas por Jesus na cruz, dirigidas ao bom ladrão”. Diante de sua morte iminente, faz um pedido humilde a Jesus:

Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu reino.

Essas palavras eram o reconhecimento humilde de alguém que sabia não ter feito nada de bom, mas se confia à misericórdia de Jesus. Ele se compadece e promete que, naquele mesmo dia, o ladrão arrependido estaria com Ele no Paraíso:

“É lá, no Calvário, que Jesus tem o último encontro com um pecador, para escancarar também a ele as portas de seu Reino. É a única vez que a palavra “paraíso” aparece nos Evangelhos. Jesus o promete a um “pobre diabo” que no lenho da cruz teve a coragem de dirigir a ele o mais humilde dos pedidos: Lembra-te de mim quando entrares no teu reino”. 

Deus sempre tem compaixão dos seus filhos e, mesmo que não tenhamos nada de bom para apresentar diante dele, devemos sempre nos confiar à sua misericórdia.

O ‘bom ladrão’ nos recorda nossa verdadeira condição diante de Deus: que somos seus filhos e que ele vem a nosso encontro, tendo compaixão de nós, que ele está desarmado cada vez que manifestamos a ele a nostalgia de seu amor”:

“Nos quartos de tantos hospitais e nas celas das prisões, este milagre se repete inúmeras vezes: não existe pessoa, por pior que tenha sido em sua vida, a quem reste somente desespero e seja proibida a graça. Diante de Deus, nos apresentamos todos de mãos vazias”.

“E cada vez que um homem, fazendo o último exame de consciência da sua vida, descobre que as faltas superam em muito as obras de bem, não deve desencorajar-se, mas confiar-se à misericórdia de Deus. Isto nos dá esperança, abre o nosso coração”.

“Deus é Pai, e até o fim espera o nosso retorno. E ao filho pródigo que retornou, que começa a confessar as suas culpas, o Pai fecha a boca com um abraço”.

O Paraíso – disse Francisco – “não é um lugar de fábula, e tampouco um jardim encantado. O paraíso é o abraço com Deus, Amor infinito”.

Por isso, certos de que mesmo que nos sintamos sozinhos, Jesus está ao nosso lado, não devemos temer a morte, mas sim desejar o encontro final com Deus, onde o veremos “cara a cara”, vivendo o amor perfeito:

Se acreditamos nisto, a morte deixa de nos amedrontar, e podemos também esperar partir deste mundo em maneira serena, com tanta confiança. Quem conheceu Jesus, não tema mais nada”.

Ao final, ao saudar os peregrinos de língua portuguesa, Francisco dirigiu-se em particular aos “fiéis de Roraima acompanhados pelo seu Pastor e os diversos grupos do Brasil”.

“Queridos amigos – disse – a fé na vida eterna nos leva a não ter medo dos desafios desta vida presente, fortalecidos pela esperança na vitória de Cristo sobre a morte. Que Deus vos abençoe”.

Fonte: Rádio Vaticano

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