Espiritualidade

25/05/2017 0 Comentários 19 views

O Dia Mundial das Comunicações Sociais é o único dia estabelecido no Concílio Ecumênico Vaticano II (Decreto Conciliar Inter Mirifica, 1963). É celebrado no domingo que antecede a Solenidade de Pentecostes, que no Brasil coincide com a Solenidade da Ascensão do Senhor, que é transferida para o Domingo. O texto da mensagem do Santo Padre para o Dia Mundial das Comunicações Sociais é tradicionalmente publicado por ocasião da festa de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas (24 de janeiro). O tema já é dado na festa dos Arcanjos, em setembro do ano anterior, eles que são os comunicadores de grandes notícias. Para celebrar o Dia Mundial, costuma-se preceder com uma semana ou dias dedicados à comunicação, seja envolvendo a Pastoral da Comunicação (Pascom), seja dando atenção maior para os comunicadores em geral, até mesmo com entrega de algum tipo de reconhecimento.

Profeticamente, o Concílio Vaticano II entregou um dos seus dois primeiros documentos demonstrando a necessidade de um trabalho eclesial nessa área. A Igreja sempre foi comunicação, pois tem a missão de comunicar a Boa Notícia, porém, nos novos tempos da segunda metade do século XX já se vislumbrava a importância que a comunicação viria a exercer na sociedade. O Documento do Concílio abre caminhos para outros documentos mais específicos e para o assunto tão importante, e nisso reside a originalidade desse pequeno documento, um dos dois primeiros publicados pelo grande Concílio Ecumênico.

Neste ano, a Igreja celebrará no dia 28 de maio o 51º Dia Mundial das Comunicações. O tema desenvolvido pelo Santo Padre na mensagem de exortação é: “Não tenhas medo, que Eu estou contigo” (Is 43,5), acrescentando: “Comunicar esperança e confiança no nosso tempo”. O Papa Francisco quer exortar a todos uma comunicação construtiva, ou seja, comunicação que rejeita os preconceitos contra o outro, promovendo assim uma cultura do encontro, por meio da qual se possa aprender a olhar com confiança a realidade.

O Papa Francisco alerta para a questão daquelas notícias ruins transmitidas pelos meios de comunicação, que muitas vezes se tornam completamente sensacionalistas. “Creio que há necessidade de romper o círculo vicioso da angústia e deter a espiral do medo, resultante do hábito de se fixar a atenção nas «notícias más» (guerras, terrorismo, escândalos e todo o tipo de falimento nas vicissitudes humanas). Não se trata, naturalmente, de promover desinformação onde seja ignorado o drama do sofrimento, nem de cair num otimismo ingênuo que não se deixe tocar pelo escândalo do mal. Antes, pelo contrário, queria que todos procurássemos ultrapassar aquele sentimento de mau-humor e resignação que muitas vezes se apodera de nós, lançando-nos na apatia, gerando medos ou a impressão de não ser possível pôr limites ao mal. Aliás, num sistema comunicador onde vigora a lógica de que uma notícia boa não desperta a atenção, e, por conseguinte não é uma notícia, e onde o drama do sofrimento e o mistério do mal facilmente são elevados a espetáculo, podemos ser tentados a anestesiar a consciência ou cair no desespero”. (Retirado do site: https://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/papa-francesco_20170124_messaggio-comunicazioni-sociali.html. Último acesso em 17/05/2017).

A mensagem está dividida em três tópicos: 1 – A boa notícia, 2 – A confiança na semente do Reino, 3 – Os horizontes do Espírito.

1 – A Boa Notícia – ao se falar de Boa Notícia temos que olhar para a realidade. A Boa Notícia por excelência, ou seja, o “Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (Mc 1, 1). Mais do que uma informação sobre (a) Jesus, a notícia boa por excelência é o próprio Cristo Jesus. “Esta boa notícia, que é o próprio Jesus, não se diz boa porque nela não se encontra sofrimento, mas porque o próprio sofrimento é vivido num quadro mais amplo, como parte integrante do Seu amor ao Pai e à humanidade. Em Cristo, Deus fez-Se solidário com toda a situação humana, revelando-nos que não estamos sozinhos, porque temos um Pai que nunca pode esquecer os seus filhos. “Não tenhas medo, que Eu estou contigo” (Is43, 5): é a palavra consoladora de um Deus desde sempre envolvido na história do seu povo”. (Retirado do site: https://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/papa-francesco_20170124_messaggio-comunicazioni-sociali.html. Último acesso em 17/05/2017).

2 – A confiança na semente do Reino – Aqui vemos que a mentalidade evangélica entrega-lhes os “óculos” adequados para aproximar do amor Divino. Amor este que morre e ressuscita. Nas muitas formas de falar, Jesus utilizava as parábolas. O Reino de Deus se faz presente no meio de nós. Como uma semente escondida a um olhar superficial e cujo crescimento acontece no silêncio. “Mais do que os conceitos – a comunicar a beleza paradoxal da vida nova em Cristo, onde as hostilidades e a cruz não anulam, mas realizam a salvação de Deus; onde a fraqueza é mais forte do que qualquer poder humano; onde o falimento pode ser o prelúdio da maior realização de tudo no amor. Na verdade, é precisamente assim que amadurece e se entranha a esperança do Reino de Deus, ou seja, “como um homem que lançou a semente à terra. Quer esteja a dormir, quer se levante, de noite e de dia, a semente germina e cresce” (Mc 4, 26-27). (Retirado do site: https://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/papa-francesco_20170124_messaggio-comunicazioni-sociali.html. Último acesso em 17/05/2017).

3 – Os horizontes do Espírito – Os horizontes do Espírito nos faz olharmos para a festa da Ascenção. Na Ascensão, Jesus abre para nós as portas do céu e promete a Vinda do Paráclito. “Quem, com fé, se deixa guiar pelo Espírito Santo, torna-se capaz de discernir em cada evento o que acontece entre Deus e a humanidade, reconhecendo como Ele mesmo, no cenário dramático deste mundo, esteja compondo a trama duma história de salvação. O fio, com que se tece esta história sagrada, é a esperança, e o seu tecedor só pode ser o Espírito Consolador”. (Retirado do site: https://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/papa-francesco_20170124_messaggio-comunicazioni-sociali.html. Último acesso em 17/05/2017).

Em tempos de tantas más notícias e diante da convicção de muitos que somente elas são de interesse, a mensagem do Papa quer recordar que a Igreja tem uma grande notícia a dar, e que é boa e que leva confiança e esperança nesse mundo cansado de guerras e violências.

Ao celebrar o Dia Mundial das Comunicações Sociais, que possamos nós também comunicar a toda a humanidade as palavras e os sentimentos de amor, de paz e de misericórdia. Todas estas coisas emanam d’Aquele que é o caminho, a verdade e a vida.

Cardeal Orani João Tempesta 

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro 

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17/05/2017 0 Comentários 46 views

No mês de maio, celebramos no dia 13 a festa de Nossa Senhora de Fátima. Trata-se de uma das maiores devoções espalhada pelo mundo e venerada por este título. No dia 13 de maio de 1917, três crianças cuidavam de um pequeno rebanho na Cova da Iria, em Fátima, Portugal. Os pastorinhos chamavam-se: Lúcia de Jesus, 10 anos, Francisco e Jacinta Marto, seus primos de 9 e 7 anos (ambos canonizados neste dia em Fátima, pelo Papa Francisco). Estamos há 100 anos desse grande acontecimento!

Por volta do meio-dia, depois de rezarem o terço, como sempre faziam, foram surpreendidos por uma luz muito brilhante e forte.
Em cima de uma azinheira (uma espécie de carvalho), viram uma senhora vestida toda de branco, mais brilhante que o Sol. “Ela emanava uma luz mais clara e intensa que um copo de cristal, cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente”, relatava Lúcia.

Ela não esquece: a Senhora disse às crianças que era necessário rezar muito e convidou-as a voltarem à Cova da Iria durante mais cinco meses consecutivos, sempre no dia 13 e àquela mesma hora. Lúcia, que era a mais velha, recomendou aos outros dois que não contassem nada a ninguém. Mas Jacinta não soube guardar o segredo. E no dia 13 de junho, data da segunda aparição, os três pastorinhos não estavam mais sozinhos no encontro. Dessa vez, Lúcia quase não compareceu. Vítima de maus tratos em casa, seus pais a tomavam por mentirosa e não acreditavam naquela história de aparição. Com medo, ela relutava em ir, mas foi convencida por uma prima. Durante muito tempo lhe pesou a acusação de mentirosa e de querer se promover à custa de Nossa Senhora de Fátima.

Na terceira aparição, em 13 de julho, Nossa Senhora parece ter se sensibilizado com a injustiça contra Lúcia: prometeu um milagre para que o povo acreditasse na história das três crianças. No mês seguinte, entretanto, os três pequenos videntes não puderam ir ao encontro na Cova da Iria porque estavam presos. Foram pressionados a contar o que conversavam com Nossa Senhora. As crianças resistiram e, no dia 19, Nossa Senhora provou, mais uma vez, seu poder. Apareceu para as crianças em Valinhos, ali por perto, na mesma região portuguesa, e continuou a fazer revelações. Uma quinta aparição aconteceu em setembro.

O grande milagre, porém, ocorreu em 13 de outubro, data da sexta e última aparição. Setenta mil pessoas lotavam o lugar e foram testemunhas do feito extraordinário prometido. Chovia! De repente, do meio das nuvens negras e carregadas, o sol surgiu e começou a girar sobre si mesmo, iniciando uma dança no firmamento. Como uma imensa bola de fogo, parecia querer precipitar-se sobre a terra.

Quanto ao segredo de Fátima vale a pena esclarecer que somente os três pastorinhos tiveram contato com Fátima em suas aparições. E com a morte prematura de seus primos Jacinta e Francisco, ficou somente com Lúcia o tão famoso Segredo de Fátima. As duas primeiras partes do segredo são conhecidas desde 1941, e constam de documentos oficiais da Igreja Católica.

A primeira parte: Nossa Senhora fala dos castigos impostos por Deus pelos nossos pecados. Nesta vida, aqui na terra, haveria uma guerra horrível, precedida por uma luz desconhecida no meio da noite; haveria fome, perseguição religiosa, erros espalhados no mundo pela Rússia e várias nações aniquiladas. A nós, pecadores, na outra vida, estariam reservados suplícios do inferno, dos quais os pastorinhos tiveram pavorosa visão.

A segunda parte do Segredo revela os meios para evitar esses castigos: a devoção ao Imaculado Coração de Maria através da prática reparadora de rezar o Terço, meditar nos mistérios do Rosário, confessar-se e receber a Sagrada Comunhão.

A última parte foi revelada em 2001. Fátima falou de um papa que sofreria um atentado. Os fatos parecem confirmar o mistério: em 1981, João Paulo II foi baleado justamente num outro dia 13 de maio, dia da primeira aparição de Fátima. Nossa Senhora de Fátima ensinou aos videntes (e, por seu intermédio, a todos nós), que todas as ações devem estar assentadas num profundo e incondicional amor a Deus. Se não for assim, não haverá redenção para nossas almas. Foi somente depois de ser salvo por milagre de um atentado em 13 de maio de 1981, aniversário das aparições, que São João Paulo II se ocupou com as revelações de Fátima. Quando em 1984, ele foi até Fátima para fazer a consagração solene nos moldes prescritos por Nossa Senhora. O milagre ficou comprovado, tanto que Nossa Senhora traz em sua coroa o projétil que atingiu São João Paulo II.

Neste centenário das aparições em Fátima, no dia da canonização dos dois pastorzinhos Francisco e Jacinta, como Arcebispo desta querida Arquidiocese, consagro esta cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro à branca virgem de Fátima, pedindo o dom da paz e da caridade:

“Ó Maria, Virgem de Fátima, doce Mãe de Jesus Cristo “Príncipe da Paz”, a vossos pés pedimos que intercedais por esta cidade, que hoje nós vos consagramos, para que gozemos a paz em nossos dias. Ajudai-nos a nos encontrar com Deus e com o nosso próximo, por vosso Filho Jesus Cristo. Sabemos que ninguém pode dar a paz, a não ser o Filho que trouxestes em vosso ventre e o entregastes para nós. Quando nasceu em Belém, os anjos nos anunciaram a paz”.

“Virgem Santíssima do Rosário de Fátima, Rainha da Paz, pedi a Jesus para que se estabeleça entre nós o Reino de Deus e intercedei junto ao vosso Filho pelo nosso povo e pela nossa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, hoje consagrada a vós. Nós vos pedimos, cheios de confiança, a vossa intercessão. Afastai para longe de nós os sentimentos egoístas, intolerantes, malvados, violentos; expulsai de nós o espírito de inveja, maldição, de discórdia. Fazei-nos humildes, fortes nos sofrimentos, em paciência e caridade, firmes e confiantes na Divina Providência. Abençoai-nos, dirigindo os nossos passos no caminho da paz, da união e mútua caridade, para que, formando aqui a família de Deus, possamos no céu bendizer o vosso divino Filho por toda a eternidade. Assim seja. Amém”!

Com este ato de amor e de entrega a vós, Mãe querida, deixo-vos em vossos pés o meu solidéu, como ato de me consagrar a vós e de entregar todo o amado povo que Deus me confiou, suplicando a paz para esta cidade do Rio de Janeiro.

Foto: Gustavo de Oliveira

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro 

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10/05/2017 0 Comentários 1232 views

Neste Ano Mariano no Brasil, no próximo dia 13 de maio, celebraremos os 100 anos da aparição de Nossa Senhora de Fátima. Essa devoção tão presente no coração do povo brasileiro nos ajuda ainda mais a viver este histórico Mês de Maio. Nesse mês, muitos bons cristãos cultivam especiais manifestações de piedade para com a Virgem Santa Maria, e essas práticas nos conduzem a Cristo, que Maria nos apresenta e que foi gerado em seu seio. Isso está de acordo com o que pediu o Concílio Vaticano II: “Todos os fiéis cristãos ofereçam insistentes súplicas à Mãe de Deus e Mãe dos homens para que Ela, que com as suas preces assistiu as primícias da Igreja, também agora, exaltada no Céu sobre todos os bem-aventurados e anjos, na Comunhão de todos os Santos, interceda junto do seu Filho”. (Lumen Gentium,69). Entre os mil nomes dados à Maria, recordemos com carinho este celebrado no centenário de Fátima.

Nossa Senhora de Fátima teve origem na cidade de Fátima, uma cidade de Portugal onde três meninos, Lucia de Jesus Santos, com 10 anos e seus primos Francisco Marto de 9 anos e Jacinta Marto de 7 anos, tiveram a visão de Nossa Senhora. Aconteceu no ano de 1917. As aparições de Nossa Senhora aos três meninos, sempre no dia 13 de cada mês, com exceção de Agosto. A primeira foi no dia 13 de Maio. Lucia via e conversava com Nossa Senhora de Fátima. Francisco só via e não ouvia os diálogos. Jacinta via e ouvia, mas não falou com Nossa Senhora.

Quando Nossa Senhora de Fátima apareceu aos três, eles descreveram assim a visão: Parecia ter uns 18 anos a Senhora, rodeada de claridade fulgurante, seu vestido era de uma alvura puríssima, assim como o manto ornado de ouro, que lhe cobria a cabeça e grande parte do corpo. O rosto sobrenatural e divino estava sereno e grave, com uma sombra de tristeza. Em suas mãos, uma cruz de ouro com um terço em contas que pareciam pérolas, e de seu corpo, especialmente do rosto, irradiavam feixes de luz, incomparavelmente superior a qualquer beleza humana.

No começo as crianças se assuntaram, mas Nossa Senhora de Fátima as tranquilizou, dizendo para não terem medo, e que ela era do Céu. Nossa Senhora disse para rezarem o terço todos os dias, para alcançarem a paz e o fim da guerra. A mensagem de Fátima é uma mensagem de conversão e arrependimento.

Foram no total seis aparições. Na última aparição, Maria Santíssima disse a Lucia que naquele local, com o dinheiro das doações, deveria ser construída uma capela com o nome de Nossa Senhora do Rosário. E quando ela se levantava suavemente para ir embora, o sol apareceu entre as nuvens como um grande disco prateado, brilhando muito, mas sem cegar as pessoas. Começou a girar vertiginosamente e suas bordas se tornaram avermelhadas espalhando raios de fogo, de modo que sua luz refletia nas pessoas e nas árvores, e foi vista até quarenta quilômetros de distância do local das aparições.

A devoção à Virgem Maria, Mãe de Deus, é sem dúvida uma grande força da nossa vivência cristã, porque, longe de desviar nossa atenção do Cristo, ela nos integra no plano de salvação proposto por Deus e realizado por seu Filho único, Jesus Cristo, que Se encarnou e veio ao mundo por meio dela. Nós celebramos Maria porque é Mãe de Deus, porque nos deu o Salvador. Foi Deus que, em sua infinita sabedoria e bondade, estabeleceu que a redenção da humanidade acontecesse através de seu Filho único nascido de uma virgem; e a virgem escolhida foi Maria. Ora, se Deus, o Senhor de todas as coisas, o Infinito e o Absoluto, não se envergonhou de escolher Maria, e a fez Cheia de Graça, para ser a Mãe de seu Filho, por que haveríamos nós, simples mortais, de recusar-nos a ter para com ela uma devoção toda especial?

É bom lembrarmos que a nossa devoção a Maria deve fundamentar-se principalmente na imitação de suas virtudes e no seguimento de Cristo. Quando Cristo disse: “Se alguém quiser me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga” (Mt 16,24), ele Se colocou como o primeiro e principal modelo a ser seguido. Maria vem em segundo lugar. Se imitarmos Maria em sua fidelidade, no seu amor a Deus e aos irmãos, com toda a certeza ela nos conduzirá pelos caminhos de seu Filho Jesus.

Maria, como a primeira cristã, viveu bem as virtudes da Fé, da Esperança e da Caridade. Antes de trazer o Filho de Deus em seu seio, já O trazia no desejo de seu coração, pois como mulher judia esperava e acreditava que Deus um dia enviaria o Messias. Como modelo de caridade deixa sua casa e vai servir Isabel, sua prima de idade avançada que está grávida, permanecendo com ela os três meses finais (Lc1,36;56) e ainda estando presente com a Igreja que está nascendo e sendo perseguida. (At 1,14)

Ao celebrarmos os 100 anos da aparição em Fátima, queremos como cristãos renovar o nosso carinho e amor a Virgem Maria. Ela nos indica a fazer a vontade de seu Filho. Nós queremos pedir a Bem-Aventurada Virgem que nos ajude em nossa caminhada. De modo especial pedimos a todos que, ouvindo a mensagem de Fátima, rezemos pela Paz em nossa cidade e estado. Rezemos publicamente o Rosário pelas ruas e praças, pedindo a Deus, acompanhados de Maria, que leve a conversão aos corações empedernidos e mude da água para o vinho essa realidade caótica que vivemos. Assim agiu Jesus Cristo nas Bodas de Caná. Assim acreditamos que Maria também hoje intervém a favor do povo pobre e necessitado.

Virgem de Fátima, ilumine a todos nós “para sermos dignos das promessas de Cristo”.

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro 

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09/05/2017 0 Comentários 638 views

No culto a Nossa Senhora, a piedade cristã se alimenta, além de toda a revelação, também de algumas tradições que nos vêm pela História e que têm sustentado a vida da Igreja por séculos. Muito louváveis são as devoções do mês de maio, com a Ladainha cantada, o Rosário recitado, os cânticos em honra de Nossa Senhora e tantas outras devoções pessoais, particulares ou comunitárias. Reflitamos sobre algumas delas.

A Ladainha, por exemplo, em sua forma simples, inclui os dois elementos essenciais do culto a Deus: o louvor e a intercessão. O louvor se expressa através das invocações a Nossa Senhora, proclamando-a Mãe de Deus, Mãe do Criador, Mãe do Salvador, Auxílio dos cristãos, Rainha de todas as categorias de santos… Através dos títulos de Nossa Senhora, a Igreja contempla toda a economia da salvação, desde o Deus Criador, passando por Jesus Cristo e pela Igreja, até a glória que espera a todos nós.

A vocação do homem contemplada nos dogmas marianos encontra-se desdobrada nas invocações da Ladainha. A maternidade divina; a Mãe da Igreja, a Virgindade; a Imaculada, a glória da Assunção. Importa que ao rezar a Ladainha, o cristão se encontre a si mesmo em cada uma das invocações.

Portanto, cada invocação convoca o homem a realizar o que contempla de Maria. Por isso, ele pede: rogai por nós. Lembrando a Deus as maravilhas realizadas em Maria, a Igreja pede que renove as suas obras em seu favor, pois também ela está a caminho da glória. E tudo isso está inserido em Deus uno e nosso Salvador, lembrado nas invocações finais ao “cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.

A devoção Mariana do mês de maio pode nos levar a vivermos mais intensamente a dignidade de homens e mulheres ressuscitados com Cristo durante o tempo pascal. Com Maria, nos preparemos para receber a força do Espírito de Pentecostes, que deseja formar em nós a imagem de Jesus Cristo, como Ele a realizou em Sua mãe.

A devoção à Virgem no mês de Maio nasceu do amor, que sempre procurou novas formas de exprimir-se. Ao longo dos dias deste mês, os cristãos oferecem a Nossa Senhora especiais obséquios que os levam a estar mais perto d’Ela: romarias, visitas a alguma igreja a Ela dedicada, pequenos sacrifícios em sua honra, horas de estudo ou de trabalho, mais a recitação do Rosário.

Uma manifestação tradicional de amor à nossa Mãe é a romaria a um Santuário ou ermida de Nossa Senhora. É uma visita revestida de caráter penitencial – traduzido talvez num pequeno sacrifício: fazer o trajeto a pé a partir de um lugar conveniente, ter algum pormenor de sobriedade que custe sacrifício – e de sentido apostólico, com o propósito de aproximar mais de Deus as pessoas que nos acompanham e rezando juntos, com especial piedade, os quatro terços do Rosário.

A Romaria pode ser uma ocasião muito propícia e fecunda de apostolado com os nossos amigos. Nesses santuários e ermidas, milhares de pessoas alcançaram graças ordinárias e extraordinárias da Mãe de Deus: uns começaram uma vida nova depois de fazerem uma boa confissão dos seus pecados, talvez após muitos anos; outros compreenderam que o Senhor os chamava a uma entrega mais plena ao serviço d’Ele e das almas; outros obtiveram ajuda para vencer graves dificuldades da alma ou do corpo. Ninguém voltou desses lugares com mãos vazias. (Cfr. Documento de Aparecida). O Bem-aventurado Paulo VI dizia: a Providência, “por caminhos frequentemente admiráveis, marcou os santuários marianos com um cunho particular”. (Papa Paulo VI, Carta aos reitores dos santuários marianos, I-V-1971).

A Exortação Apostólica “Marialis Cultus”, do Papa Paulo VI (02/02/1974), parte da renovação litúrgica, decidida pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, para explicar o lugar de Maria no ciclo geral e o sentido das festas propriamente marianas.  A Exortação segue o que orienta o Concílio: […] promovam generosamente o culto, sobretudo o litúrgico, para com a Bem-Aventurada Virgem Maria; deem grande valor às práticas e aos exercícios de piedade recomendados pelo magistério […] (LG 67). Neste ensinamento, Paulo VI articula a questão da cultura e da inculturação do culto devido a Maria, como a Mulher que soube viver no seu contexto e inserir-se no mistério de Cristo, porque foi uma mulher que acreditou naquilo que o Senhor lhe disse.

Portanto, neste mês dedicado a Bem-Aventurada Virgem Maria, queremos acorrer à sua intercessão e pedir a Ela todas as graças e bênçãos sobre cada família e sobre cada um de nós. Em especial, com o Rosário nas mãos em nossas ruas, praças e avenidas, suplicando diante de Deus, com Maria, pela Paz em nossa cidade e em nosso estado.

Que a Virgem Mãe do Divino amor nos dê a graça de amar e sermos sinais desse amor em nossa sociedade.

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro 

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02/05/2017 0 Comentários 762 views

Ao redor do mundo, jovens encontram diariamente barreiras a serem enfrentadas e desafios a serem superados. Nesta etapa da vida, é comum se passar pela fase da busca do sentido de sua existência, muitas vezes vivida de maneira solitária e sofrida, tendo assim que buscar uma fuga de toda essa pressão que a sociedade exerce sobre eles. Este ponto é o chamado nó crítico da questão. A fuga muitas vezes é vista de forma negativa, porém é necessária, em certos momentos, para a reorganização de ideias e pensamentos que possam estar em caos. Todos são chamados a subir o Monte, que é o Cristo Ressuscitado, para contemplarem a sua Onipotência.

Por estarem nesse momento de dúvida e anseio, é necessário incentivo ao diálogo familiar, reforço dos laços fraternais e a prática que promova a boa convivência. Escutá-los, entendê-los e orientá-los a descobrir o grande valor da vida são pontos de superação das dificuldades já citadas.

Caso o jovem não receba apoio familiar e eclesiástico nesse momento, ele o buscará em outros lugares, e este é o verdadeiro perigo que a juventude corre. O “mundo” oferece a ele prazeres momentâneos, mas que certamente acarretam consequências duradouras. Não se pode moralizar ou banalizar as atitudes tomadas nesse período como uma simples “falta do que fazer” ou ainda “bobagem” de adolescentes. Na verdade, trata-se de uma cultura na qual a violência é tida com grande espetacularização e que todos os dias é incentivada por programas sensacionalistas, preconceituosos e superficiais. Trata-se também de uma desvalorização da vida, que atinge principalmente esta faixa etária. Portanto, é importante tratar com seriedade tal problemática.

Infelizmente, se tem acompanhado nos noticiários e meios de comunicação uma verdadeira tragédia. O chamado “jogo da Baleia Azul” esteve em foco ultimamente, pois, por conta dessa “brincadeira” vários jovens retiraram a própria vida. Este jogo consiste em cinquenta desafios que envolvem automutilação, atividades arriscadas em geral e por fim o suicídio. O motivo pelo qual uma pessoa se dispõe a fazer isto depende de cada caso, porém, a depressão é um fator comum em quase todos. Como já foi dito, é necessário um acompanhamento familiar e eclesiástico da juventude, visto que esta é uma faixa etária muito perturbada e que necessita de apoio. A sociedade difunde valores onde a vida fica em segundo plano e a morte é colocada em foco, como se pode ver pela série chamada “thirteen reasons why”, que aborda o tema do suicídio juvenil.

A XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos irá acontecer diante desse cenário apresentado. Um contexto difícil, mas que necessita de uma atitude mais engajada da Igreja. Em sua missão de defender e difundir a vida, ela precisa afrontar tais problemas, ir ao encontro dos que precisam e por fim transmitir sua Mensagem de Amor.

Muitos católicos, ao se depararem com uma situação de abalo emocional e/ou psicológico, procuram os sacerdotes para um aconselhamento. Isso é algo bom, uma vez que mostra a figura materna da Igreja ajudando seu filho nos momentos de penúria. Contudo, é importante lembrar que o número de sacerdotes disponíveis não é proporcional ao número de pessoas que realmente necessitam de ajuda. Então, entra em conjunto a família, que deve colaborar para a solução. Além do mais, existem os casos em que a pessoa, seja por qual motivo for, deixa de buscar auxílio. Então, cabe aos que estão ao seu redor perceber as atitudes estranhas ou contrárias ao cotidiano dela, que podem evidenciar que algo está errado.

Destaca-se que a Igreja não se trata somente do clero e da hierarquia eclesiástica. Ela corresponde a todo o povo de Deus. O povo de Deus são os grandes protagonistas da ação evangelizadora da Igreja. Por isso, é papel de todo católico, em sua essência, ajudar aqueles que necessitam, pois disse Jesus: “todas as vezes que não fizestes isso a um desses pequenos, foi a mim que o deixastes de fazer!” (Mt 25,45). Algumas pessoas, nesses momentos, podem pensar que não sabem fazer nada, não têm capacidade para ajudar… Porém, não é preciso grandes coisas. Ao se aproximar e conversar com a pessoa, ao perceber que algo está errado, e falar para alguém mais que julga mais competente, já se está realizando ações que ajudam a solucionar algumas questões. É a questão da proximidade.

A fé é um Dom de Deus deveras importante para todos. Nela se encontra a resposta para várias dúvidas que podem aparecer durante a vida. Lamentavelmente, ela tem sido deixada em segundo plano por muitos, devido a todo esse contexto de repúdio à religião criada por ideologias atuais. É cientificamente provado que a fé auxilia o ser humano em suas atitudes e o ajuda psicologicamente, mas mesmo assim o ser humano, como outrora, se julga autossuficiente, e quer deixar Deus de lado, mesmo no final tendo caído em desgraça. É preciso ir ao encontro dessa juventude iludida e mostrar-lhe o verdadeiro valor da fé na vida de cada um.

Juntamente com a fé caminha a vocação de cada cristão. Tendo isto em vista, esse é outro ponto em que se deveinvestir. Uma implantação de encontros vocacionais para todos os jovens, não só os vocacionados para o sacerdócio e ordens religiosas, é um caminho para uma ajuda eclesiástica na questão das escolhas difíceis nessa faixa etária. Isto, além de proporcionar uma melhor formação para cada um, cria um laço fraternal em meio àquela comunidade. Por ser só trabalhada de modo aprofundado entre os vocacionados religiosos e sacerdotais, a vocação tem perdido um pouco do seu papel e conhecimento nas comunidades. Muitos católicos não sabem quais são as vocações, ou ainda pior, o que são as vocações. Isso compromete muito a Igreja no seu projeto de evangelização, pois, não sabendo sua vocação, não se sabe o papel que se deve ser desempenhado no plano de Deus.

Em síntese, o Sínodo dos Bispos foi convocado em um especial contexto, no qual o rebanho está desorientado e necessita ouvir a voz de seu Pastor, nosso amado Papa Francisco, para que assim possa continuar a sua missão. O tema sobre os jovens também foi importantíssimo, uma vez que este grupo necessita de auxilio familiar e eclesiástico imediato, visto as dificuldades que enfrentam diariamente por conta dos transtornos da adolescência. A esperança é que as decisões ali tomadas sejam colocadas em prática para que assim a Santa Igreja Católica consiga exercer esse papel de mãe acolhedora, que sempre está de braços abertos para acolher estes filhos que, assim como na parábola do filho pródigo, se perderam no mundo e buscam agora uma reconciliação com sua família.

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro 

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